A Professora de Piano

Direção Michael Haneke

O filme A Professora de Piano é um filme que trabalha com a violência na imagem, pois ao longo do filme a personagem Principal Érika, vai utilizando seu corpo em algo que julgamos uma agressão.

Uma cena, que talvez passe um pouco despercebido, é a cena em que Érika chega em casa e briga com sua mãe, até aí tudo bem, é algo normal. Mas ela agride sua mãe fisicamente, algo que pode deixar o espectador moralmente perturbado, pois isso fere com os valores morais da sociedade a qual vivemos. Em outras cenas do filme, Érica vai violentando seu corpo, como exemplo, posso citar a cena do banheiro, em que (pelo que eu entendi da cena), Érika pega uma gilete e introduz em sua genitália, para lhe causar prazer, ou mesmo como uma auto punição.

Uma outra cena que causa um mal estar, “que é uma maneira pela qual a imagem cinematográfica pode agredir a sensibilidade do espectador”¹, cena em que Érika entra em uma cabine de um cinema pornô, mais frequentado por homens, ela escolhe um vídeo onde uma mulher faz sexo oral com um homem, Érika pega um papel que fora usado por um homem para se limpar após ejacular, ela sente prazer ao cheirar este papel enquanto assiste ao vídeo. Essa cena é talvez a mais perturbadora do filme, pois ela causa enjoo no espectador ao assistir essa cena, é uma cena forte e ao mesmo tempo inimaginável que alguém em sã consciência iria fazer algo desse tipo.

A cena em que o aluno (namorado) de Érika lê o papel para ela é uma cena que assusta ao espectador, como também ao aluno de Érika, assusta pelo conteúdo escrito nesse papel. Conteúdo em que Érika impõe regras no relacionamento amoroso entre ela e seu aluno, “regras que não são normais em casais comuns”, ela pede para ela bater nela e outras coisas “fora do comum”. Em uma cena adiante a esta, em que seu aluno sai da sua casa bravo com ela, Érika é violentada como “estava” escrito na carta, as cenas chocam pela violência na imagem, um homem batendo violentamente em uma mulher, algo que a sociedade julga como errado, e se fosse em um filme comum esse homem certamente seria condenado, preso ou alguma outra coisa ruim iria lhe acontecer, o que não acontece. O que ocorre é que ele continua como estava, só que sem o amor de Erika que lhe foi negando durante todo tempo, e Érika se auto pune no final da história, enfiando a faca em si mesma, fica em aberto o que aconteceu com ela.

O filme mostra a história de uma pessoa que não tinha um bom relacionamento com outras pessoas, e nem consigo mesma, ela se auto punia, por prazer ou mesmo por punição, era uma pessoa que ao mesmo tempo era impulsiva e também completamente controlada, sua personalidade estava nos dois extremos, esse filme mostra a violência na imagem, onde valores morais da sociedade são quebrados, que pode chocar aos que acreditam nesses valores.


Escrito por Osvaldo Reis

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

BURCH, Noel. Práxis do cinema. São Paulo: Perspectiva, 1992. Cap. 8 – Estruturas da Agressão (Pg. 149-163).